Por Elvécio Andrade
Pelo visto, a repercussão da recente publicação do Colatina News, que colocou os questionamentos do vereador Carlos Rubens, o Carlim da Dengue, na berlinda, ainda está provocando algum desconforto no gabinete do parlamentar. A “marretada” parece ter acertado em cheio. Tanto que o vereador resolveu espalhar pelas redes sociais um cartaz no qual destaca a notícia publicada pelo nosso site, acompanhada de uma mensagem na qual promete continuar fiscalizando, cobrando e não se deixar intimidar.
Ora, vereador. Menos teatro e mais trabalho! Ninguém está questionando o direito de um vereador fiscalizar. Aliás, fiscalizar, legislar e representar a população não são favores que os parlamentares prestam à sociedade. São obrigações inerentes ao cargo para o qual foram eleitos e pelas quais recebem dinheiro público todos os meses. Mas existe uma diferença enorme entre exercer a fiscalização com responsabilidade e transformar o mandato em uma arena de circo, ou num palanque de provocações, insinuações e ataques políticos.
Fiscalizar uma obra significa procurar os órgãos responsáveis, conhecer os projetos, examinar os contratos, verificar os custos, identificar de onde vêm os recursos, acompanhar a execução e apontar eventuais irregularidades com provas e fundamento. Agora, fazer vídeos atacando obras sem demonstrar conhecimento suficiente dos projetos, espalhar informações sem a devida apuração e transformar servidores públicos e integrantes do Executivo em alvos de provocações não é fiscalização. É molecagem. Fofoca!
E convém lembrar que questionar uma administração pública é legítimo, necessário e saudável para a democracia. Mas isso não significa que qualquer crítica, por mais barulhenta que seja, deva ser confundida com trabalho parlamentar. O vereador parece querer transformar a crítica jornalística em uma espécie de perseguição pessoal. Mas, convenhamos, quem ocupa cargo público precisa aprender uma lição elementar: está sujeito à fiscalização da imprensa, da sociedade e de qualquer cidadão.
A liberdade de expressão não é uma prerrogativa exclusiva de quem ocupa uma cadeira na Câmara Municipal. E tem mais: se o parlamentar pode fiscalizar o Executivo, por que a imprensa não poderia fiscalizar o comportamento do parlamentar? Ou será que a fiscalização só é democrática quando parte de quem está com o mandato nas mãos? Aparentemente, Carlim da Dengue gostaria de ter o monopólio da fiscalização, mas parece não gostar muito quando alguém resolve fiscalizar sua própria atuação.
É aquela velha história: para cobrar, tudo bem; para ser cobrado, aí já é intimidação. Ninguém está pedindo que o vereador fique calado. Muito pelo contrário! Que fale, questione, investigue, apresente documentos, protocole requerimentos e cobre explicações. É para isso que foi eleito. Mas que faça isso com seriedade, responsabilidade e postura compatível com a importância do cargo que ocupa.
O mandato pertence ao povo, vereador. Não é propriedade particular sua, muito menos licença para transformar a política municipal em um bizarro espetáculo de provocações. E, para encerrar, fica uma sugestão: antes de distribuir cartazes anunciando que continuará fiscalizando, talvez fosse interessante demonstrar à população como essa fiscalização está sendo feita. Porque fiscalizar é dever, fazer oposição é legítimo, mas confundir fiscalização com perseguição, crítica com intimidação e barulho com trabalho é uma demonstração preocupante de falta de postura parlamentar.
Barra de São Francisco precisa de vereadores que ajudem a construir o futuro da cidade, não de parlamentares que pareçam mais preocupados em produzir vídeos do que em compreender as obras que pretendem fiscalizar. Afinal, vereador, fiscalização séria se faz com documentos, conhecimento e responsabilidade. Não com chilique político, postagem indignada e cartaz de autopromoção. Quem escolhe a vida pública precisa aprender a conviver não apenas com aplausos, mas também com críticas.


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