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Barbárie: homem arranca dentes da ex-companheira com alicate e acaba preso

Os dentes das vítima ficaram pelo chão

Por Elvécio Andrade 

O nome dele é João Vitor da Silva, conhecido pelo vulgo de Chiquinho, 26 anos. E o que esse indivíduo é acusado de fazer com a ex-companheira, uma jovem de apenas 23 anos, em São Pedro dos Ferros, na Zona da Mata mineira, ultrapassa qualquer limite de crueldade que uma sociedade minimamente civilizada possa tolerar. 

De acordo com informações da polícia, a jovem foi brutalmente agredida no sábado, dia 30. Socos, chutes e uma violência tão monstruosa que o agressor utilizou um alicate para arrancar os dentes da própria ex-companheira. Sim, um alicate! Não estamos falando de uma discussão acalorada, de um desentendimento conjugal ou de uma briga de casal. Estamos falando de uma brutalidade que carrega todos os contornos de uma sessão de tortura. 

Como se não bastasse a monstruosidade da agressão, o indivíduo ainda recorreu às redes sociais para negar a utilização do alicate. Entretanto, segundo as informações policiais, vários dentes da vítima foram encontrados no local do crime, evidências que contradizem sua versão. A jovem precisou ser transferida para um hospital em Ponte Nova, onde recebeu atendimento especializado em razão das graves lesões na boca e das demais agressões sofridas. 

João Vitor foi preso na madrugada de segunda-feira, 02, aproximadamente 48 horas depois do episódio, quando pegava carona em um veículo na região central da cidade. A prisão ocorreu em cumprimento a um mandado de prisão preventiva. E aqui fica uma pergunta que precisa ecoar em todos os cantos deste país: quantas mulheres ainda precisarão ser espancadas, mutiladas, torturadas e quase mortas para que a sociedade compreenda a dimensão dessa tragédia? 

A violência contra a mulher não começa necessariamente com um soco. Muitas vezes, começa com o controle, o ciúme doentio, as ameaças, a humilhação, a perseguição e a incapacidade de aceitar que uma mulher tem o direito de decidir com quem deseja viver, e, principalmente, de quem deseja se afastar. Nenhum homem é dono de uma mulher. Nenhum relacionamento concede a alguém o direito de agredir, humilhar, ameaçar ou destruir a integridade física e psicológica de outra pessoa. 

O término de um relacionamento não é autorização para vingança, muito menos para transformar uma mulher em objeto de uma violência indescritível. E precisamos dizer isso sem rodeios: homem que precisa recorrer à violência para tentar impor sua vontade não demonstra força, masculinidade ou coragem. Demonstra covardia, descontrole e desprezo pela vida humana. 

Não podemos normalizar essas atrocidades, nem permitir que casos como esse desapareçam das manchetes depois de alguns dias. A vítima precisa de proteção, acolhimento, acompanhamento médico e psicológico e, acima de tudo, do direito de reconstruir sua vida sem medo. Que a Justiça cumpra seu papel, que as investigações esclareçam integralmente os fatos e que, comprovadas as acusações, haja a responsabilização rigorosa do agressor. 

Porque uma coisa precisa ficar muito clara: o corpo de uma mulher não é território para a violência de homem algum. E o silêncio diante da barbárie jamais poderá ser confundido com neutralidade. Até quando?

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